Xiloteca
Coleção Científica de Madeiras

Seção transversal de madeira

Listagem das espécies registradas

A estrutura anatômica da madeira contribui significativamente para o reconhecimento de árvores e arbustos para fins de pesquisas taxonômicas ou filogenéticas, principalmente quando o material reprodutivo (flores e/ou frutos) é ausente ou escasso. Neste contexto, as xilotecas representam uma importante fonte de informação para o pesquisador, fornecendo possiblidades de identificação e resgate de dados sobre procedência, coletores etc.

História da Xiloteca do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Os primeiros relatos sobre a existência de uma coleção de madeira no Jardim Botânico do Rio de Janeiro são de Barbosa Rodrigues, que reuniu amostras doadas pelo Imperador D. Pedro II a outras amostras de madeira encontradas no próprio Jardim Botânico, sem qualquer tipo de organização. Essas madeiras constituíram parte da primeira coleção do Museu Botânico, criado em 1890 (Decreto 518 – 23 de junho de 1890). Infelizmente, não existem registros dessas históricas amostras na Xiloteca do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Ao que tudo indica, a coleção de madeiras do Museu Botânico foi enriquecida ao longo dos anos por coletas dos naturalistas viajantes, cargo criado no Jardim Botânico em 1890 (Decreto 518 – 23 de junho de 1890). A coleção atual não guarda qualquer registro dessas coletas, visto que muitas das madeiras registradas não possuem informações sobre o coletor ou a data de coleta. Os registros mais antigos da Xiloteca do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro são provenientes de coletas de destacados pesquisadores do Jardim Botânico da primeira metade do século XX, como Adolpho Ducke, Geraldo Kuhlmann, Alexandre Curt Brade, Occhioni e outros.

A Xiloteca do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, como hoje é conhecida, foi iniciada oficialmente em 1942. Seu primeiro registro é referente a Dyctioloma incannescens DC., Rutaceae, coletada por Kuhlmann em março de 1939. Como existem muitas amostras coletadas em datas anteriores e praticamente todos os documentos que normatizam as funções do Jardim Botânico no início do século fazem referência à presença de amostras de madeira como parte do acervo, pode-se deduzir que a atual coleção resulta de uma fusão de coleções preexistentes, provavelmente mantidas pelos anatomistas da madeira que trabalharam nos antigos Instituto de Biologia Vegetal e no Serviço Florestal. A amostra de madeira mais antiga da coleção é Peltogyne campestris Ducke coletada por Ducke no Pará em 19 de abril de 1911.

O período compreendido entre 1918 e 1966 representa a fase áurea dos estudos anatômicos da madeira no Jardim Botânico. Alberto Löfgren, contratado em 1918, foi o primeiro pesquisador da casa a realizar trabalhos de anatomia de madeiras. Na década de 20, o laboratório de anatomia foi organizado pelo eminente microscopista Luiz Gurgel, que permitiu a realização de trabalhos de microscopia óptica mais acurados. Em 1931, Fernando Romano Milanez e Arthur de Miranda Bastos, pesquisadores da casa, foram sócios fundadores da International Association of Wood Anatomists, associação que até hoje congrega os anatomistas da madeira do mundo todo. Dentre outras atividades por eles desenvolvidas, merecem destaque a tradução das primeiras normas para descrição de madeiras e a organização, em 1936, da primeira reunião de anatomistas da madeira, que contou com participantes do Brasil e do exterior. No início dos anos 60, foi montado um laboratório de microscopia eletrônica no Jardim Botânico por Raul Dodsworth Machado, que se dedicou junto com o dr. Milanez aos estudos de citologia vegetal das madeiras brasileiras. A intensa atividade e a constante discussão dos temas ligados à anatomia da madeira, com pesquisadores nacionais e internacionais, provavelmente influenciaram a na criação de uma coleção de madeiras com informações mais precisas sobre os locais de coleta, datas etc. O pesquisador Armando de Matos Filho foi o responsável por executar essa nova organização da coleção, criando os arquivos e registrando as amostras de madeira. A grande maioria das fichas do arquivo atual foram confeccionadas de seu próprio punho.

Pode-se dizer que os anos 70 marcaram o período de decadência da anatomia da madeira no Jardim Botânico. Durante esses anos a instituição contou apenas com os pesquisadores Armando de Mattos Filho e Paulo Agostinho de Mattos Araújo, que mantiveram as pesquisas e a coleção, porém sem a mesma intensa atividade das décadas passadas. Até 1983, todas as informações referentes às madeiras da Xiloteca estavam encerradas em fichas reunidas em arquivos, o que resultou no extravio de informações sobre cerca de 100 amostras. Nessa época, a coleção passou a ser coordenada pela dra. Cecília Gonçalves Costa, que criou o seu livro de tombo, resgatando informações de todas as fichas já registradas. Foi a dra. Cecília a grande idealizadora da revitalização da coleção no final dos anos 80, desempenhando papel preponderante na formação dos pesquisadores que hoje da atuam no Programa Mata Atlântica, desenvolvendo pesquisas em anatomia vegetal. Essa equipe reimplantou na instituição a linha de pesquisa em anatomia da madeira em um momento em que o Jardim Botânico, há quase 5 anos, já não contava com essa especialidade devido à aposentadoria do Dr. Armando de Matos Filho e à morte do Dr. Paulo Agostinho de Mattos Araújo.

Atualmente a Xiloteca possui cerca de 8200 amostras de madeira de 160 famílias e aproximadamente 35.000 lâminas obtidas de 2200 indivíduos. A coleção está organizada em armários de aço por ordem numérica de registro e suas respectivas fichas ordenadas de duas formas: (1) de acordo com o registro numérico das amostras e (2) em ordem alfabética de famílias taxonômicas. Existe ainda um registro numérico das lâminas histológicas.
Ao longo destes anos, a Xiloteca também tem recebido muitas doações e permutas, que merecem destaque por proporcionarem o enriquecimento da coleção com amostras exóticas ou de outras regiões do Brasil. O maior número de amostras doadas (978) é proveniente da Xiloteca de Yale, com madeiras do mundo todo, coletadas no período de 1929 a 1945. Muitas dessas amostras foram utilizadas pelo anatomista da madeira Samuel J. Record para a confecção das chaves de identificação de seus livros. A Xiloteca possui ainda uma coleção de 44 madeiras coletadas por Paulo de Campos Porto em 1948, especialmente para a confecção das famosas chaves de Record, publicadas em Tropical Woods. Existem ainda doações do Smithsonian Institute, com 427 amostras das Américas coletadas em 1961; 185 amostras coletadas por B. A. Krukoff no Amazonas, doadas pelo Museum of Natural History e pelo U. S. National Herbarium, e doações do New York Botanical Garden de coletas realizadas no Pará e Amapá no período de 1961 e 1963 com cerca de 267 amostras.

A Xiloteca do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro possui maior representatividade para os estados da Região Norte do Brasil, o que reflete os interesses dos pesquisadores da instituição, principlamente até a década de 70. Atualmente, a tendência da coleção continua sendo a regionalização dos registros oriundos de viagens de campo, voltadas porém neste momento para o Estado do Rio de Janeiro e as diferentes formações vegetais que integram a Floresta Atlântica. Esta regionalização é de certa forma atenuada com a permuta de amostras com instituições congêneres nacionais e estrangeiras, que contribuem para o enriquecimento da coleção.

Contatos: Curadoria do Herbário RB - rb@jbrj.gov.br

Seção transversal da madeira de Huberia glazioviana (Melastomataceae) - Arquivo do JBRJ.

 

 

 

 

 

 

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