João Barbosa Rodrigues

"O grande parque, coberto de explendida vegetação, semelhava uma floresta, cujos exemplares, em promiscuidade, não eram indicados por uma placa, uma etiqueta, um simples signal que os fizesse conhecidos. Tudo muito agradável á vista, mas, scientificamente, em estado deploravel. Isto foi declarado por uma commissão nomeada pelo governo antes da minha posse."

João Barbosa Rodrigues, 1894

 

Principais mudanças


Espécimes coletados por Barbosa Rodrigues depositados no acervo do herbário do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro

João Barbosa Rodrigues (1842-1909) foi um dos precursores de uma visão integrada homem-natureza. Seus estudos foram abrangentes, perpassando por vários campos da ciência. Na Botânica é reconhecido como um dos maiores do Brasil, tendo destaque, principalmente, no estudo da taxonomia de palmeiras e orquídeas. Teve rica experiência em campo, tanto coletando plantas como lidando com diferentes sociedades humanas. Ainda muito jovem, acompanhou Freire Alemão em expedições às serranias do Rio de Janeiro; conviveu com o médico e colecionador de plantas sueco Anders Fredrik Regnell, em Minas Gerais; acompanhou o botânico sueco Salamon Eberhard Henschen, pelas serras de Minas Gerais, em 1869, em busca de orquídeas.

Foi comissionado pelo governo brasileiro para explorar o vale do Rio Amazonas, percorrendo o Baixo Amazonas e alguns de seus tributários, entre 1872 e 1874, observando, coletando e fazendo anotações sobre a utilização da flora local na medicina, na culinária e na habitação, bem como os nomes pelos quais as plantas eram conhecidas. Colecionou também artefatos indígenas, fósseis, fez anotações sobre as línguas locais e muito mais. Retornou à Amazônia em 1883, quando foi designado pelo governo imperial para dirigir o Museu Botânico do Amazonas, em Manaus, do qual foi diretor desde sua abertura até seu fechamento em 1890.

Com a proclamação da República foi nomeado, em 1892, diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, cargo que ocupou até a sua morte, em 1909. Empenhou-se em elaborar um projeto integral para a instituição e, sabedor pela própria vivência, da importância de expedições de campo para a constituição de coleções representativas da flora brasileira, criou o cargo de naturalista viajante.

Os espécimes que colecionou, entretanto, por muito tempo foram tidos como perdidos e assim são pouco referenciados. Revisitamos alguns herbários, agora com dados das etiquetas de espécimes disponíveis on line, em busca de coletas de Barbosa Rodrigues. Partindo dessas informações, localizamos no herbário do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) 34 exemplares coletados por Barbosa Rodrigues no Amazonas e no Pará, nos anos de 1872 e 1873, no Rio de Janeiro em 1876 e em Minas Gerais, em 1876 e 1877. Os espécimes são patrimônio material do herbário do JBRJ e podem ser visualizados clicando neste link.

Autores:
Ariane Luna Peixoto¹, Rejan R. Guedes-Bruni¹, Inês Machline Silva², Erika von Sohsten de Souza Medeiros¹ & Rosangela da Silva Cunha¹
¹ Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro
² Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Departamento de Botânica

 

 

 

 

 

 

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