Homenagem a Dra. Graziela é ponto alto na Semana da Mulher do JBRJ
14/3/2014

“Mulheres no Jardim Botânico do Rio de Janeiro” foi o tema da roda de conversas na manhã desta quinta-feira, na Escola Nacional de Botânica Tropical. Subiram ao palco representantes femininas de diferentes gerações e setores da instituição, servidoras e colaboradoras. A grande homenageada do evento foi a Dra. Graziela Maciel Barroso (1912-2003), pesquisadora botânica de renome internacional e mestra de grande parte dos botânicos do Jardim e do Brasil.

Pessoas que foram alunas da Dra. Graziela ou com ela conviveram deram seus depoimentos, na mesa e no debate que se seguiu, trazendo ao evento momentos de grande emoção. No fim do encontro, o Auditório da Escola Nacional de Botânica Tropical recebeu o nome de Graziela Maciel Barroso, em reconhecimento ao seu trabalho.

Liderança e afeto – A pesquisadora Cecília Costa, que foi aluna da Dra. Graziela, falou sobre a vida e a obra da homenageada. Dra. Cecília destacou o papel de liderança que a mestra desempenhou, articulando especialistas de diferentes áreas da Botânica e de outras ciências para aprofundar os estudos sobre as plantas brasileiras e publicar obras que ainda hoje são referência para os professores e estudantes da área.

Além de sua história como botânica, Graziela Barroso, deixou também muitas memórias afetivas em todos que com ela conviveram. “O que aprendi com ela foi sobretudo uma lição de vida”, disse Cecília Costa. O pesquisador Gustavo Martinelli, coordenador-geral do CNCFlora, convidado a participar da mesa, afirmou que Graziela foi mais do que uma cientista - “ela foi uma sábia”.

A paisagista Cecília Beatriz, da Associação de Amigos do Jardim Botânico (AAJB), emocionou-se ao lembrar da pesquisadora, a quem sempre recorria quando precisava identificar algum espécime: “e ela sempre sabia o que era, sem nem precisar recorrer aos livros”, rememorou. Cecília Beatriz contou um pouco de sua própria história na instituição, especialmente na idealização de uma área do jardim voltada para que os cegos pudessem apreciar as plantas, o que deu origem ao atual Jardim Sensorial.

Presente e futuro – Carina Vieira, aprendiz do Centro de Responsabilidade Socioambiental, representou a novíssima geração. Ela falou de sua passagem por vários setores do Jardim e das pessoas com quem trabalhou no JBRJ. Atualmente Carina é contratada pelo 4º Juizado Especial Criminal (4º Jecrim), do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e quer fazer universidade de Direito.

Adriana Miguel, da equipe de limpeza, falou de sua satisfação de trabalhar no Jardim Botânico há 13 anos. Seus dois filhos foram aprendizes do Centro de Responsabilidade Socioambiental e atualmente estão no Exército. “Aqui dentro tem muito para a gente aprender. Só tenho a agradecer por tudo e pela atenção que está sendo dada agora aos colaboradores. É muito bom termos o nosso trabalho reconhecido”. Sobre a Dra Graziela, Adriana lembrou que a pesquisadora sempre conversava com todos, inclusive com a equipe de limpeza, e tinha prazer em compartilhar seus conhecimentos.

A coordenadora de Conservação da Área Verde, Martha Ronchini Ribeiro Gonçalves, que está há 17 anos no JBRJ, falou sobre o desafio de liderar uma equipe com 107 funcionários, sendo 94 homens. Ela está agora na expectativa de ver ampliada a equipe de jardineiras, uma vez que é política da gestão atual do JBRJ alcançar o equilíbrio de gênero no número de vagas terceirizadas oferecidas. Martha disse ainda que considera um privilégio ser a coordenadora de conservação de um dos jardins mais bonitos do mundo.

Há nove anos no Jardim Botânico, alocada atualmente em um ponto-chave do arboreto – a Casa dos Pilões – por sua competência, entre outras coisas, em se comunicar em três idiomas, Selma Santos, da equipe de Segurança Patrimonial, reforçou o apoio à atual política de gênero da instituição. “O quantitativo de mulheres na guarda patrimonial ainda é pequeno, mas já faz a diferença”, afirmou.

A presidente do JBRJ, Samyra Crespo, reafirmou a importância do envolvimento de todas e todos no esforço pela equidade de gênero. Ela lembrou que as mulheres são a maioria da população brasileira hoje, têm, em média, maior nível de escolaridade e respondem pelo maior número de matrículas em cursos de pós-graduação. “Portanto, a equidade de gênero não é só uma questão de justiça, mas também econômica. E quando justiça e economia caminham juntas, isso fortalece a nossa democracia”, concluiu.

Samyra leu uma mensagem da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, homenageando Dra. Graziela.

Auditório – Antes do descerramento da placa com o novo nome do auditório da Escola – Auditório Graziela Maciel Barroso –, a diretora da ENBT, Neusa Tamaio, fechou os depoimentos falando da atuação da homenageada como docente. “Sua preocupação foi preparar pesquisadores para continuarem o seu trabalho”, disse Neusa. Dra. Graziela, que obteve o título de doutora aos 60 anos, orientou 60 dissertações de mestrado e 15 teses de doutorado, além de ministrar 75 cursos de especialização ou extensão e de proferir 112 conferências e palestras, em diferentes universidades do país e no JBRJ.

Mensagem da ministra na homenagem à Dra. Graziela na I Semana da Mulher do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

“Como Ministra do Meio Ambiente, como funcionária de carreira do Ibama e como bióloga que sou, quero neste grato momento parabenizar o corpo científico do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, autarquia a nós vinculada, pela feliz escolha de dar ao auditório da Escola Nacional de Botânica Tropical o nome da cientista Graziela Maciel Barroso. É uma justa homenagem, uma carinhosa lembrança e sobretudo um resgate necessário da longa tradição científica que sustentou e anima esta Casa. Muitos mestres e mestras por aí passaram, deixaram sua marca com um trabalho admirável. Nem todos foram devidamente reconhecidos. Em nome do futuro muitas vezes não se honram as tradições nem se reconhecem os importantes legados de que somos herdeiros ou tributários. Quero, portanto, manifestar minha alegria por esta, repito, justíssima homenagem a uma cientista que não só contribuiu imensamente com o seu trabalho de botânica, mas que se dedicou com igual seriedade e generosidade a formar pessoas e transmitir o seu conhecimento. Com este gesto singelo mas de extrema significância o Instituto honra sua ciência, honra esta grande mulher e reverencia seu legado. Parabéns a todos.

Izabella Teixeira – Ministra do Meio Ambiente”

Leila Pinheiro canta o universo feminino na Semana da Mulher do JBRJ

A 1ª Semana da Mulher realizada no Instituto de Pesquisas Jardim do Botânico do Rio de Janeiro teve seu momento artístico com o show da cantora e pianista Leila Pinheiro, realizado na noite de quarta-feira, 12 de março, no Galpão das Artes do Espaço Tom Jobim.


CRÉDITO: Regina Raso Bastos

O ecletismo da apresentação encantou aos presentes, que conferiram as versões adaptadas para piano e voz de músicas como Lua Branca (Chiquinha Gonzaga), Fogueira (Ângela Rorô), Essa Mulher (Joyce), A Vida que a Gente Leva ( Fátima Guedes) e Outra Vez ( Isolda), dentre outras.
Canções de compositores que souberam captar o universo feminino, como o próprio Tom Jobim, também entraram no repertório. No bis o público cantou com Leila a composição “Vitoriosa”, de Ivan Lins.

A cantora também recitou trechos de poemas da mineira Adélia Prado e lembrou a importância da musicista Chiquinha Gonzaga, uma das primeiras mulheres a desenvolver uma carreira profissional na música, ainda no século 19.

O evento contou com a participação do ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, da presidente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Samyra Crespo, parceiros, dirigentes e funcionários do Jardim Botânico e público em geral. Os donativos entregues na bilheteria em troca do ingresso foram doados aos projeto Pró-Florescer, do Centro de Responsabilidade Socioambiental do JBRJ.

A todo, o Pró-Florescer recebeu, em alimentos: 59 pacotes de biscoito, 18 latas de achocolatado, 11 kg de arroz, 5 kg de feijão, 12 latas de leite em pó, 3 kg de açúcar; 1 kg de sal e 4 kg de macarrão. Em material escolar, foram arrecadados: 11 cadernos, 20 canetas esferográficas, 301 lápis pretos, 4 conjuntos de caneta hidrocor, 4 conjuntos de lápis de cor, 4 réguas, 6 borrachas, 2 rolos de barbante e 4 resmas de papel A4.

Atividades sobre saúde e bem estar fazem sucesso na Coleção de Medicinais

Na manhã de quarta, dia 12, participantes da Semana da Mulher aprenderam a fazer sucos saudáveis e produtos de beleza, além de descobrirem propriedades benéficas de algumas plantas. Em roda de conversa na Coleção Temática de Plantas Medicinais, a terapeuta Neide Eisele deu uma breve palestra sobre a importância, para a saúde, do afeto nas relações. Um dos momentos fundamentais dessa ligação entre afeto e saúde se dá no ato de amamentar, no olhar da mãe nesse momento de nutrição e carinho. A troca de olhares libera o chamado “hormônio do amor”, a ocitocina.

Na conversa que se seguiu, chamou a atenção a fala de uma das participantes, que apontou o belicismo presente na linguagem do dia a dia e até nas políticas públicas: “nada é humanizado, nada fala, por exemplo, de convivência social. Tudo é bélico: 'choque de ordem', 'secretaria de ordem pública', 'combate à dengue', 'guerra ao mosquito', e assim por diante”.

A chefe de Gabinete do JBRJ, Ana Batista, que participou das atividades, foi convidada a plantar uma muda de loureiro. Yara Britto explicou que o louro simboliza prosperidade, saúde, boas-vindas, e que, quimicamente, ajuda a quebrar as moléculas de gordura nos alimentos.

Nas oficinas, Yara e sua assistente, Priscila, deram dicas de como fazer sabonetes naturais, máscara facial e sucos desintoxicantes. A pedidos, publicamos aqui as receitas:

Máscara facial
Ingredientes: aveia, semente de linhaça triturada, cavalinha, soro ou chá de camomila.
Material: recipiente ou copo descartável, espátula, colher de café.
Como fazer: misturam-se os ingredientes no copinho. O produto é esfregado levemente na pele, fazendo um peeling. Espera-se secar e retira-se com um algodão embebido em chá de camomila ou água de tomate.

Suco para aliviar cólicas menstruais

½ abacaxi picado
1 maçã sem sementes
½ colher (chá) de gengibre picado
1 copo (250ml) de água

Suco da saúde e boa forma

1 fatia grossa de melão
1 goiaba vermelha pequena com casca
1 copo (250ml) de água

Suco para esquentar o amor

10g. de gengibre ralado
raspa de casca de limão a gosto
suco de limão
1 copo (250ml) de água
mel ou adoçante a gosto

Como fazer: bata o gengibre com a água no liquidificador; adicione o suco de limão e as raspas da casca e bata novamente. Adoce, acrescente gelo e beba uma vez por dia em dias alternados.

 

Mesa de abertura da Semana da Mulher enfocou autonomia e transformação

Ações da Secretaria de Políticas para Mulheres atraíram interesse da plateia, que se comoveu com a fala da ativista da Redeh.

A Semana da Mulher do JBRJ começou na terça-feira, dia 11, com uma mesa que reuniu na ENBT a presidente Samyra Crespo, a coordenadora de Autonomia Econômica para as Mulheres da Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) da Presidência da República, Simone Schäfer, e a representante da Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh) Schuma Schumaher.

Samyra Crespo apontou como as instituições, de forma geral, ainda têm dificuldades para enxergar o potencial de seu contingente feminino e para resolver pequenos obstáculos na inclusão das mulheres. Ela exemplificou com o caso do próprio Jardim Botânico, onde a contratação de jardineiras esbarrava na falta de um vestiário feminino.

Atuar para proporcionar autonomia econômica das mulheres não é, para a presidente, uma questão exclusiva das mulheres, mas aquelas que chegaram a posições de poder devem ter isso em mente. “É nossa obrigação usar o poder da caneta, usar a política de gênero para promover essa inclusão”, disse Samyra, anunciando que a meta do JBRJ é ter 50% de seu contingente terceirizado formado por mulheres até 2016.

Simone Schäffer falou das diretrizes de sua coordenação e apresentou algumas das políticas que a SPM vem adotando, como o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça. Uma das iniciativas que despertou bastante interesse entre as presentes foi o Programa Casa da Mulher Brasileira, que proporciona autonomia econômica a mulheres vítimas de violência doméstica. Simone convidou todos a conhecerem mais sobre esses programas no sítio eletrônico da SPM, em www.spm.gov.br

A coordenadora afirmou ainda que a ênfase no trabalho da Secretaria é transversalizar as políticas de gênero em todos os ministérios. É o que ocorre, por exemplo, com o Bolsa Família, em que 93% dos titulares do cartão são mulheres. Já o programa de crédito PRONAF-Mulher, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, ampliou sua linha de crédito familiar em 2013 de R$ 50 mil para R$ 130 mil. Na área urbana, 66% dos beneficiados pelo PRONAC são mulheres.

Ativista da causa das mulheres há 37 anos, a representante da Redeh, Schuma Schumaher, lembrou que falar de gênero é falar de relações. As mulheres foram em busca de sua autonomia, mas a carga do trabalho doméstico continua em sua quase totalidade sobre elas. “Não basta obtermos nossa autonomia econômica – é preciso transformar as relações”, enfatizou, ressaltando que a responsabilidade pela educação das crianças, por exemplo, é também de quem está ausente.

“O trabalho doméstico é a sustentação da vida, e temos que dar visibilidade a ele. A sociedade precisa considerar não apenas o trabalho produtivo, mas o trabalho reprodutivo, esse que cuida da vida. A economia do cuidado tem que ser contabilizada”, concluiu.

Após as palestras, foi apresentado o Clip Kids da campanha “Quem Ama Abraça Fazendo Escola”, produzido pela Redeh e pelo Instituto Magna Mater (IMM), com direção musical de Leila Pinheiro.
Para assistir ao clipe online, clique aqui.

No encerramento do encontro, a ilustradora botânica Hilda Manhã, que dedicou décadas de seu trabalho ao JBRJ, e a aprendiz Carina Vieira deram um "abraço de gerações".


 

 

 

 

 

 

 

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