Ações afirmativas e visibilidade em debate na Semana da Mulher do JBRJ
14/3/2014

A primeira Semana da Mulher do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro se encerrou nesta sexta-feira, 14 de março, com um debate promovido em parceria pela Rede de Mulheres pela Sustentabilidade, Fundação Ford e Comitê de Gênero do JBRJ. Daniela Demôro, da Michelin, representado a Rede, e Nilcéa Freire, da Fundação Ford, discutiram as ações afirmativas como instrumento das políticas de gênero no setor público e privado.

Daniela relatou sua experiência como membro da diretoria de uma empresa multinacional, com todos os desafios que teve e tem que enfrentar para conciliar o mundo do trabalho com a vida familiar. Ela entende que homens e mulheres precisam conversar mais para avançar na compreensão das necessidades e responsabilidades de cada um, a fim de alcançar um equilíbrio entre essas duas dimensões do cotidiano.

No que se refere a ações afirmativas e, mais especificamente, à questão das cotas para mulheres nas empresas e instituições, Daniela considera que o estabelecimento de regras bem determinadas de cotas seria algo benéfico no sentido de ser uma alavanca inicial para mudar a situação atual de desigualdade nas oportunidades de trabalho e nos cargos co poder de decisão.

A ex-ministra da secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República e atual representante da Fundação Ford no Brasil, Nilcéa Freire, por sua vez, defende a ação afirmativa como um conceito mais amplo do que as cotas. “A desigualdade no poder, que está no nosso cotidiano, vem das desigualdades estruturais que herdamos de uma sociedade patriarcal e escravocrata. Essas desigualdades precisam ser enfrentadas por meio da política e da cultura”, afirmou.

Para Nilcéa, enquanto homens e mulheres não puderem compartilhar poder e responsabilidades, continuaremos num sistema de dominação. Porém, a desigualdade está levando a um limite, uma crise, em que as tarefas da reprodução da vida podem não mais encontrar seu lugar. Por isso, é urgente desnaturalizar as situações em que se dão as desigualdades. É preciso ser capaz de ver para poder transformar.

No debate, integrantes da Rede de Mulheres para a Sustentabilidade também contaram suas experiências e apontaram propostas. Foi o caso de Raíssa Lumack, vice-presidente de RH da Coca- Cola, que falou de algumas iniciativas da empresa para promover o acesso e a permanência da mulher no trabalho. A empresa criou um comitê para identificar os problemas, estudá-los e propor soluções para que mulheres e homens possam melhor conciliar seu tempo público e privado.

A chefe de Gabinete do JBRJ, Ana Batista, falou do tripé sobre o qual se apoia a atua gestão do JBRJ: integração, compartilhamento e parceria, que possibilitou a organização da Semana da Mulher e trará mudanças para a instituição. Ana Toni, do Greenpeace, enfatizou a importãncia de que as mulheres ocupem cargos de poder: “ter uma presidente da República mulher faz com que minhas filhas, ainda crianças, sonhem em um dia serem presidentes também”.


 

 

 

 

 

 

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